Jogo do Bicho: tudo que você precisa saber antes de jogar

Jogo do Bicho: tudo que você precisa saber antes de jogar

Está chegando o final do mês e as contas não fecham? Por mais que você se esforce, parece que sempre há mais boletos para pagar do que dias no mês? Essa situação é mais comum do que você imagina, mas não se preocupe: temos uma solução que vai ajudar a complementar renda e garantir sua estabilidade financeira.

Ao contrário de outras soluções do mercado que não tem comprovação (estamos de olho em você, Tigrinho), estamos falando de algo que tem mais de 100 anos de história e já deixou muita gente rica. Com pagamentos diários e grandes chances de vitórias, a melhor solução para seus problemas está mais perto do que você imagina: O Jogo do Bicho!

Calma que não é bem assim!

Caso você tenha achado a introdução estranha ou que fomos comprados por algum site de apostas, não precisa se preocupar. Ela faz parte de uma inocente brincadeira de primeiro de abril, na qual vamos aproveitar para falar sobre um dos jogos de azar mais antigos em circulação no Brasil — e calma PF, não estamos promovendo nenhuma atividade ilegal!

A seguir, confira tudo sobre a história do Jogo do Bicho, além das polêmicas e de todas as ilegalidades envolvidas no “gameplay” desse clássico da cultura brasileira.

O Jogo do Bicho teve origem há mais de 100 anos no BrasilO Jogo do Bicho teve origem há mais de 100 anos no BrasilFonte:  Reprodução/Editora Unicamp 

Criado em 1892 no Rio de Janeiro, o famoso Jogo do Bicho foi uma ideia do barão João Batista Viana Drummond, que queria ajudar a financiar e movimentar o zoológico da cidade. A ideia era simples: ao comprar um ingresso, um visitante encontrava nele a impressão de um entre 25 tipos diferentes de animais.

Ao final do dia, havia um sorteio que premiava quem tivesse a figura vencedora com um valor 20 vezes maior do que o preço da entrada. Ele ficou ainda mais popular quando deixou de ser atrelado ao ingresso, permitindo que cada pessoa comprasse diversas chances de concorrer — o que serviu para aumentar a arrecadação.

Também contribuiu muito para a popularidade do Jogo do Bicho o fato de que ele é fácil de entender, traz mais probabilidades de ganhar do que uma loteria e, tradicionalmente, paga prêmios diários. A prefeitura do Rio de Janeiro não gostou do fato de que ele se transformou em um jogo de azar e o proibiu na cidade em 1895 — o que só serviu para torná-lo ainda mais popular.

Jogo do Bicho é proibido no Brasil

Embora tenha sido tolerado durante décadas como uma contravenção menor, o Jogo do Bicho virou crime em 1946 no Brasil. No entanto, já era tarde para que isso impedisse que os apostadores, que já haviam tornado a modalidade parte da cultura popular, deixassem de fazer suas “fezinhas”.

Quem abriu operações do jogo também não estava interessado em parar com elas, especialmente dado a grande quantidade de dinheiro que elas movimentam. Especialmente no Rio de Janeiro, a atividade ajudou a construir impérios do crime que também envolvem tráfico de drogas e armas, especulação mobiliária, prostituição e transporte clandestino, entre outros.

Embora opere de forma clandestina e compita com muitas loterias oficiais, o Bicho permanece vivo até hoje por questões tanto culturais quanto práticas. Para convencer a comunidade de que são confiáveis, os operadores — conhecidos como bicheiros — costumam divulgar resultados sempre de forma pública, muitas vezes se baseando nos números da Loteria Federal para fazer sorteios.

Muitos deles também viraram figuras públicas conhecidas por usar seu dinheiro para financiar times de futebol e escolas de samba. Tema de um documentário da Globoplay, Castor de Andrade ficou conhecido como o maior bicheiro brasileiro, tendo patrocinado publicamente o Bangu Atlético Clube e a Mocidade Independente de Padre Miguel — ao mesmo tempo em que financiava assassinatos, o contrabando de drogas e a lavagem de dinheiro.

Mais do que simplesmente dinheiro

Enquanto desde suas origens O Jogo do Bicho foi dividido entre famílias e áreas de interesse, ele começou a ganhar mais espaço no imaginário popular a partir dos anos 1970. Foi nessa época que os contraventores populares como Castor ganharam espaço, com suas conversas sedutoras, jeito de quem sabe curtir a vida e projetos que se estendiam além do submundo do crime.

Usando o poder do futebol e a liberdade oferecida pelo Carnaval, eles sabiam que não bastava saber pagar autoridades e policiais para conseguir trabalhar com tranquilidade. Ao investir em eventos culturais e em paixões públicas, os malandros que vendiam o sonho de enriquecer conseguiram fazer com que a própria população passasse a defendê-los.

A tática foi muito bem executada, e muitos bicheiros viraram figuras públicas defendidas por suas comunidades. No entanto, séries como Vale o Escrito – A Guerra do Jogo do Bicho (também da Globoplay) e livros como Carnavais, Malandros e Heróis, mostram que essa estrutura acabou sendo a responsável por sua própria destruição.

A “fase romântica” do Jogo do Bicho ficou para trás com o surgimento e estabelecimento das milícias formadas por agentes do poder público corrompidos e o fortalecimento de alianças com facções que controlam outras áreas do crime organizado. Segundo o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, os bicheiros continuam a agir em uma estrutura de dinastias, mas de forma menos espalhafatosa do que na época de Castor.

Em um artigo no Jornal da USP, ele explica que a paixão e as causas sociais abraçadas por bicheiros no passado continuam ser grandes forças de mobilização, mas foram transformadas diante de novos contextos sociais. “Tanto no Rio como em São Paulo, para não falar de outros Estados brasileiros, como os da Amazônia Legal, ganhar dinheiro se tornou a meta a ser alcançada, o grande propósito de vida, independente dos prejuízos a terceiros e aos interesses coletivos”, explica.

Transformado e mais rentável do que nunca, o Jogo do Bicho faz parte de uma grande estrutura que se espalha por diferentes partes do Estado. Com representantes embrenhados em diversas partes das instituições democráticas que deveriam combatê-lo, o crime organizado parece ter a força necessária para garantir que a invenção de João Batista Viana Drummond continue viva por pelo menos mais 100 anos.

E aí, qual sua opinião sobre o Jogo do Bicho? Comente no YouTube do Voxel! Aproveite a deixa e confira também a história dos DLCs e microtransações, que assolam o mercado de games atualmente.

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@nvgazeta.com

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