A misteriosa origem da partícula OMG

A misteriosa origem da partícula OMG

Os telescópios terrestres são tão importantes quanto os telescópios espaciais espalhados pelo Sistema Solar, afinal, eles têm ‘olhos’ apontados para lugares que não podem ser facilmente observados. A partir dos instrumentos na Terra, os cientistas podem realizar análises de fenômenos que não são visíveis a olho nu, como raios cósmicos e ondas de frequência infravermelha.

O caso da misteriosa partícula Oh-My-God (OMG) é exatamente este. Ao utilizar um conjunto de instrumentos no observatório experimental Fly’s Eye, nos EUA, um grupo de cientistas identificou uma explosão de quilômetros de extensão com partículas que são invisíveis ao olho humano — não é possível observá-las devido às interações de alta energia na atmosfera superior da Terra.

É importante destacar que os pesquisadores não detectaram a partícula OMG de forma direta. Na verdade, trata-se de um tipo de partícula subatômica de ultra-alta energia detectada por meio de partículas secundárias produzidas durante a interação com a atmosfera terrestre. O nome Oh-My-God (Oh, Meu Deus em português) foi escolhido por conta das características aparentemente impossíveis da partícula.

“A descoberta foi inicialmente chamada de ‘partícula WTF’, mas após se tornar pública, um novo nome foi cunhado por um engenheiro agora aposentado chamado John Walker. Nesse mesmo ano, foi publicado um livro sobre o então hipotético bóson de Higgs, chamado The God Particle. ‘Algo com a energia de um tijolo caindo no dedo do pé parecia muito mais impressionante [do que o Higgs]’, diz Walker. ‘Então eu a chamei de partícula Oh-My-God’”,é descrito em um estudo publicado na revista científica New Scientist.

Mas qual é o mistério por trás do fenômeno? Por que ele é considerado impossível? Para responder a essas questões e compreender melhor o que é a partícula Oh-My-God, nós reunimos informações de artigos científicos e de especialistas da área.

O que é a partícula Oh-My God?

A detecção da partícula Oh-My-God foi realizada na noite de 15 de outubro de 1991, quando uma equipe da Universidade de Utah, nos EUA, utilizou o observatório experimental Fly’s Eye para fazer observações de raios cósmicos no céu noturno. Na ocasião, o equipamento coletou dados de um ‘chuveiro atmosférico’, um evento descrito como uma explosão extensa no espaço que emite partículas invisíveis ao olho humano.

Conforme a ciência explica, os raios cósmicos são parte de um evento natural que acontece no cosmos, no qual a Terra é constantemente bombardeada com partículas subatômicas. Felizmente, isso não representa nenhum problema para a saúde dos humanos, pois a Terra possui uma magnetosfera e uma fina camada de ar que impedem que a radiação desses raios atinja a superfície terrestre.

A animação mostra como os raios cósmicos atingem a Terra.A animação mostra como os raios cósmicos atingem a Terra.Fonte:  NASA 

Os raios cósmicos são compostos por diferentes partículas subatômicas, incluindo prótons, nêutrons, elétrons, entre outras. Parte desse conjunto inclui partículas secundárias, como o fenômeno Oh-My-God, porém, a OMG é uma partícula subatômica de ultra-alta energia, produzida pela interação dos raios cósmicos com a atmosfera da Terra.

Um dos grandes mistérios em relação à partícula OMG é a sua origem; até os dias atuais, os cientistas continuam tentando compreender de onde surgiram os raios cósmicos detectados em 1991 — existem algumas teorias.

Naquela ocasião, os pesquisadores acreditavam que havia uma limitação específica na energia máxima possível em um raio cósmico, mas as partículas Oh-My-God mostraram algo que era impossível para a época: a energia delas excedeu esse limite em 500%.

Quando os raios cósmicos atingem a Terra, eles interagem com a atmosfera, criando uma cascata de partículas secundárias que perdem sua energia ao se aproximarem da superfície; o evento é chamado de 'chuveiro atmosférico'.Quando os raios cósmicos atingem a Terra, eles interagem com a atmosfera, criando uma cascata de partículas secundárias que perdem sua energia ao se aproximarem da superfície; o evento é chamado de ‘chuveiro atmosférico’.Fonte:  Universidade de Chicago / ASPERA / Novapix / L. Bret 

O mistério não se limita apenas à partícula OMG, pois a ciência ainda não descobriu completamente qual é a origem dos raios cósmicos que emitem ultra-alta energia. Os cientistas acreditam que a energia liberada pela partícula excedeu a produção de energia do Grande Colisor de Hádrons em 10 milhões de vezes.

A física atômica costuma ser medida em termos mais específicos, como angstroms e elétron-volts, pois estamos lidando com escalas extremamente pequenas. Por isso, as medições geralmente não utilizam medições de quilômetros, gramas ou joules. Apesar de ser uma partícula subatômica de ultra-alta energia, a partícula OMG não se encaixa nessas características, pois liberou uma quantidade extraordinária de energia durante a detecção em 1991. Foram aproximadamente 48 joules.

A partícula Oh-My God vs a partícula de Deus

A partícula de Deus é uma partícula subatômica prevista no Modelo Padrão da física de partículas e foi detectada em 2012, durante um experimento no Grande Colisor de Hádrons, na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN). A única semelhança entre a partícula Oh-My-God e a partícula de Deus é que ambas são partículas subatômicas, mas a semelhança para por aí.

Enquanto a partícula de Deus, também chamada de bóson de Higgs, está associada ao Modelo Padrão da física, a partícula Oh-My-God está associada aos raios cósmicos de ultra-alta energia. Exceto pelo fato de ambas serem subatômicas, o contexto e as propriedades físicas de ambas as partículas são completamente diferentes.

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@nvgazeta.com

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